segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

COMUNICADO


CHUMBO DAS MOÇÕES DO PS NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL LEGITIMA
EXTINÇÃO DE FREGUESIAS EM ESTARREJA E
ENCERRAMENTO DEFINITIVO DO HOSPITAL VISCONDE DE SALREU

Incompreensão, Indignação e revolta, são as expressões que ocorrem à Comissão Política de Estarreja do Partido Socialista, após a reprovação na Assembleia Municipal de Estarreja realizada no passado dia 15 de Dezembro, das duas moções apresentadas pelo grupo parlamentar do PS.

O PS considera da máxima irresponsabilidade o chumbo destas duas moções e que com isto foram colocados em causa os interesses de Estarreja, quer na manutenção do seu mapa de freguesias quer, de um modo que tocará directamente no acesso aos cuidados de saúde dos estarrejenses, com o mais que provável encerramento do Hospital Visconde de Salreu.

As moções manifestavam-se contra a extinção e aglomeração de freguesias prevista para o município pelo denominado “Livro Verde da Reforma Administrativa” e contra o encerramento do Hospital Visconde de Salreu, exigindo ainda explicações sobre a situação do novo Hospital garantido pelo anterior governo do PS.

Ambas as moções tiveram os votos contra dos deputados do PSD e do CDS, acompanhados pela CDU no caso do Hospital.


Sobre a Reforma Administrativa

No caso da moção sobre a reforma administrativa, a coligação PSD-CDS/PP acusou o PS de oportunismo político por ter apresentado o documento a votação quando está prevista para o dia 28 de Dezembro uma reunião Assembleia Municipal para discutir o tema. Só que essa reunião, por muitas conclusões e exigências que produza, pouco ou nenhuns efeitos práticos terá, já que o governo comprometeu-se a elaborar o projecto-lei sobre esta matéria até ao final do ano, ou seja, 3 dias depois!

De resto, esta posição da Coligação só pode ser entendida como uma subjugação ao Governo. Note-se os casos bizarros dos Presidentes de Junta de Veiros (José Fernando Henriques) e de Pardilhó (este, Manuel Nascimento, disse mesmo que lutaria até à “última gota de sangue” pela manutenção de Pardilhó!), que haviam já aprovado documentos com teor semelhante nas suas Assembleias de Freguesia, votaram agora contra uma proposta do mesmo teor na Assembleia Municipal.

Com este voto está aberto assim o caminho para a aplicação da proposta do governo e para a extinção das freguesias de Beduído, Pardilhó, Salreu e Veiros.

Registe-se que estes autarcas do PSD de Beduído (José António Marques), Pardilhó (Manuel Nascimento), Salreu (Joaquim Henriques) e Veiros (José Fernando Henriques) preparam-se para ficar sem as freguesias para as quais foram eleitos como representantes máximos, sem o mínimo de resistência!

Registe-se, também, que para o Presidente da Câmara (José Eduardo Matos) e para os 4 vereadores em regime de permanência (Abílio Silveira, Diamantino Sabina, Rosa Simão e João Alegria) é como se nada de importante estivesse prestes a acontecer, porque nenhum deles reclama contra o seu próprio Governo!

A Assembleia Municipal está toda calada, a defender os superiores interesses do PSD e CDS nacionais!

Os autarcas de Estarreja são o sonho de qualquer Governo! Levam e encolhem-se, sem resistência, certamente com medo do Sr. Presidente não consiga o seu tão ambicionado lugar na tal estrutura-piloto regional que o Governo anda a criar noâmbito da CIRA.


 Sobre o Hospital

O PS Estarreja considera que esta é uma situação da máxima gravidade e abre totalmente o caminho para o encerramento da principal estrutura de cuidados de saúde do município. Com esta votação, o governo está totalmente legitimado a encerrar de vez o Hospital Visconde de Salreu. Aliás, relembramos que já Manuela Ferreira Leite disse que estava contra a construção de um novo hospital em Estarreja nas legislativas de 2005. Apesar disso, ganhou em Estarreja, ao contrário do país.

Mais incompreensível é o facto de muitos que no passado andaram em manifestações contra o encerramento das urgências no período nocturno – como é o caso do Presidente da Câmara – terem instigado este voto contra, quando o que está em causa é muito mais grave.

Estarreja está em risco de perder um Hospital Novo sem quaisquer explicações e em risco de perder o actual, com a conivência do PSD e do CDS e de todos quantos não votaram a favor da moção do PS. São eles, agora também, responsáveis pelo fim do Hospital Visconde de Salreu.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

MOÇÃO: O NOVO E O ACTUAL HOSPITAL DE ESTARREJA

(Texto integral da Moção apresentada na reunião da Assembleia Municipal de 15 deDezembro)

O Programa do XVII Governo Constitucional previa a reorganização da rede hospitalar e dos cuidados primários de saúde. Esse Governo era do Partido Socialista. A reorganização previa o encerramento diário das urgências do Hospital Visconde de Salreu. De imediato, ouviram-se as vozes da hoje inaudível Comissão de Utentes anunciando protestos e do Sr. Presidente da Câmara Municipal. Promoveu-se um abaixo-assinado com o patrocínio do Sr. Presidente da Câmara, dos Srs. Presidentes de Junta, da Comissão de Utentes, do PSD, do CDS/PP e do PCP locais que recolheu 12.550 assinaturas de utentes conforme anunciado publicamente no dia 6 de Novembro de 2006.

O Sr. Presidente da Câmara Municipal, dizendo-se indignado, enviou ao Ministério da Saúde um documento e de acordo com as notícias de então acusava o Governo de falta de diálogo.

Apesar do Governo ser do Partido Socialista, foi o Partido Socialista de Estarreja que, em 29 de Maio de 2007, lançou publicamente a proposta que quebrou o impasse a tínhamos chegado, com a Câmara sem soluções, apenas a protestar e com o Governo decidido a implementar o que tinha previsto.

A proposta do PS veio a ser votada na Assembleia Municipal e, posteriormente, aceite pelo Governo, com a Câmara a reboque. Assim, em 23 de Julho de 2007 foi assinado um Protocolo entre a Câmara e o Ministério da Saúde do então Governo PS, com o objectivo de minorar o encerramento do serviço de urgências:

A 23 de Julho de 2007, o então ministro da Saúde, Correia de Campos, esteve em Estarreja a assinar um protocolo com a Câmara Municipal que oferecia um conjunto de benefícios que pretendiam minorar o encerramento do serviço de urgências local.

O documento estabeleceu a requalificação do Hospital Visconde de Salreu com vista à qualificação da actividade na cirurgia de ambulatório, internamento de medicina e cirurgia, cuidados continuados e serviços de apoio aos centros de saúde de Estarreja e Murtosa, no âmbito da patologia clínica e medicina física e reabilitação.

O protocolo também visou o aumento de consultas de especialidade, nomeadamente de obstetrícia/ginecologia, pneumologia, pediatria, fisiatria e outras especialidades que o hospital, dentro do seu perfil, entendesse no futuro serem importantes para o seu desempenho.

Para que estas melhorias fossem introduzidas no novo funcionamento do hospital, o Ministério da Saúde aprovou um financiamento de dois milhões de euros para serem gastos em obras de requalificação do edifício, que data de 1936. As medidas assentes no documento assinado também beneficiam as freguesias de Veiros, Canelas e Fermelã, que ganham a requalificação e manutenção das respectivas extensões de saúde. Há poucos meses também foi entregue uma ambulância INEM, com equipa técnica, ao Hospital Visconde Salreu, que, com o encerramento das urgências, se transformará numa ambulância de Suporte Imediato de Vida, que servirá as populações da Murtosa e S. Jacinto.

No cumprimento do protocolo ficou estabelecida uma avaliação semestral pela Administração Regional de Saúde do Centro e Câmara Municipal.

Na data da assinatura do Protocolo, ficou previsto o encerramento do Serviço de Urgências. Na sua vez, passaria a existir uma Consulta Aberta que se manteria encerrada entre as 00.00 horas e as 08.00 horas.

Apesar de estar previsto no Protocolo assinado o encerramento do serviço de urgências, logo que a comunicação social deu eco da data, logo foi convocado um protesto para a véspera, protesto esse em que um burro foi a estrela, como todos se lembrarão.

Como o Protocolo previa que o Governo gastasse dois milhões de euros em obras de requalificação do edifício, que datava de 1936, que era propriedade da Santa Casa da Misericórdia, que, naquela data recebia cerca de 7500 euros mensais de renda e do qual nem sequer se conhecia o verdadeiro estado físico, nem se o mesmo poderia aguentar um paralelepípedo em cima, o Partido Socialista de Estarreja, mais uma vez liderou este processo, e avançou com a proposta de utilizar o dinheiro previsto na construção de um novo hospital, que aproveitasse parte do edifício do Centro de Saúde de Estarreja e que deveria ser construído no terreno por trás do actual Quartel dos Bombeiros.

Ninguém acreditou nessa possibilidade, a começar pela própria Coligação PSD/CDS, tendo o líder do CDS chegado a propor a Medalha de Mérito Municipal à então líder do Grupo Parlamentar do PS na Assembleia Municipal e Deputada à Assembleia da República, Drª Marisa Macedo, caso conseguisse fazer com que o Governo mudasse de ideias.

Ao mesmo tempo que o Presidente da Câmara defendia o chamado “Hospital Ria Norte”, que basicamente significava que Estarreja passava a ficar na dependência de Ovar em termos de saúde.

E o que é certo, é que, graças ao trabalho incansável da líder do PS Estarreja, o Governo do Partido Socialista mudou de ideias e decidiu construir um novo Hospital em Estarreja, bastando para tal a autarquia disponibilizar os terrenos necessários.

O Sr. Presidente da Câmara tudo fez para evitar a construção do mesmo, desde a sugestão da construção de um hospital em Ovar que servisse Estarreja (sic!) ao atraso na disponibilização dos terrenos.

Em 14 de Fevereiro 2009, o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, veio ao Hospital do Visconde de Salreu anuncia a construção de raiz do novo hospital, coincidindo com a tomada de posse do novo Presidente do Conselho de Administração, Pedro Almeida, ficando aí decidido avançar para a elaboração do plano funcional.

A Câmara, em vez de aproveitar o terreno que tinha, decidiu alterar a localização do Hospital. Empatou meses infindos. Foi fatal.

Em Março de 2011, o Secretário de Estado da Saúde Óscar Gaspar veio a Estarreja, reforçar o compromisso do Governo PS em construir um novo hospital, afirmando que a gestão articulada dos hospitais, sendo Estarreja um dos pólos do Centro Hospitalar do Baixo Vouga, assenta numa requalificação do parque hospitalar, para prestar o melhor nível de cuidados às populações.

Explicou, nessa data, o presidente da ARS, João Pedro Pimentel, que no novo hospital “valorizaremos a cirurgia de ambulatório, os cuidados continuados, consulta externa e a fisiatria. Estas são as quatro grandes linhas mestras que presidiram ao programa funcional”.

A infra-estrutura terá uma ocupação entre 50 a 60 camas. O Partido Socialista perdeu as eleições. A Coligação PSD/CDS que governa Estarreja é a mesma Coligação a quem foi entregue o país.

Eis o resultado: nem novo hospital e, provavelmente, nem velho hospital. Hoje dia 15 de Dezembro as notícias que existem é que o Hospital Visconde de Salreu: Cancelou as prestações de Serviços a partir de 1 de Janeiro de 2012, o que implicará ficar sem os médicos residentes, um anestesista, sem radiologista, com menos enfermeiros e uma médica de medicina interna.

O que na prática leva ao encerramento ao bloco operatório e ao internamento;
Prepara-se para transferir doentes para Aveiro;
Continua com Administração em Gestão, visto não terem sido reconduzidos os administradores presentes, nem sem qualquer vislumbre de nova administração ao contrário dos hospitais circundantes.

Posto isto e tendo por base as várias notícias que têm vindo a público pela ARS, bem como, pelo Ministério da Saúde, o Governo prepara-se para apresentar publicamente uma nova reorganização da rede hospitalar e como anunciado será cortado os apoios aos hospitais das misericórdias, como é o caso do Hospital Visconde de Salreu (HVS).

Uma vez que estava previsto pelo anterior Governo um novo Hospital, conforme protocolo assinado pelo Estado (pessoa de bem), a Assembleia Municipal de Estarreja delibera:
- Solicitar à Câmara Municipal de Estarreja toda a documentação e troca de correspondência com o Ministério da Saúde e com a Administração Regional de Saúde desde o inicio de funções do actual Governo;
- Condenar toda e qualquer atitude que levará à redução das valências hoje existentes no HVS;
- Exigir por parte do Ministério da Saúde e da Administração Regional de Saúde o cabal esclarecimento acerca da situação presente do HVS;
- Exigir de imediato por parte do Governo o reassumir do compromisso da construção do novo Hospital, bem como o cumprimento do prazo da mesma;
- Exigir a manutenção do Hospital de Estarreja e condenar qualquer tentativa de encerramento.
- Exortar todos aqueles que tão rapidamente vieram a público condenar o encerramento das urgências no passado e que tão efusivamente organizaram protestos e abaixo-assinados venham hoje novamente lutar pelo Hospital;

Desta deliberação deverá ser dado conhecimento a: todos os órgãos das Freguesias do Município de Estarreja; todos os órgãos dos municípios do distrito de Aveiro; o Sr. Presidente da República; a Sr.ª Presidente da Assembleia da República; os Presidentes dos Grupos Parlamentares dos Partidos Políticos com assento na Assembleia da República; o Sr. Primeiro-Ministro e o Sr. Ministro da Saúde.

Estarreja, 15 de Dezembro de 2011
Os membros do Grupo Municipal de Estarreja do PS

MOÇÃO: REFORMA DA ADMINISTRAÇÃO LOCAL

(Texto integral da Moção apresenta na reunião da Assembleia Municipal de 15 de Dezembro)

O Governo decidiu empreender uma reforma da administração local com particular incidência em:
- Redução do Sector Empresarial Local
- Alteração da configuração institucional dos órgãos municipais e orgânica dos municípios
- Redução do número das freguesias

Para tal o Governo elaborou o “Documento Verde da Reforma da Administração Local” que contém os princípios da reforma, os seus objectivos e propostas para serem aprovadas até ao final do primeiro semestre de 2012 e com profundos impactos no próximo acto eleitoral para as autarquias locais.
Para tal o Governo convocou todas as autarquias para opinarem sobre a sua proposta sem as garantias que as opiniões, sugestões ou propostas feitas pelos autarcas e pelas autarquias sejam aceites ou que produzam qualquer efeito prático nas iniciativas legislativas que irão produzir no seio do Conselho de Ministros, em especial, após as preocupações do Ministro dos Assuntos Parlamentares e da Presidência do Conselho de Ministros, Miguel Relvas, que afirmou publicamente após o Congresso da ANAFRE que a reforma vai avançar mesmo contra a vontade das freguesias.
Se por um lado até se admite que a reorganização do sector empresarial local e até mesmo o funcionamento dos órgãos municipais possam ser alvo de alterações que poderão representar maior sustentabilidade e das autarquias locais e mais democracia; por outro, a ideia cega de reduzir o número de freguesias para metade, com critérios imperceptíveis para a maioria dos cidadãos, revelam um total desconhecimento da importância das freguesias, bem como para o impacto orçamental nulo que supostamente o Governo pretende atingir, mostram que esta é uma ideia inaceitável, desrespeitadora das autarquias e da realidade territorial nacional.
Desta forma e assumindo frontalmente acerca da forma e à substância da proposta do Governo, a Assembleia Municipal de Estarreja delibera:

- Rejeitar em absoluto os critérios propostos para a reorganização territorial e administrativa das freguesias, que tem especial impacto em quatro das sete freguesias do município de Estarreja (Beduído, Canelas, Salreu e Veiros), que, como se disse já, estão perfeitamente estabilizadas territorial e administrativamente desde 1926;
- Sugerir ao Governo que antes de propor ausculte;
- Apoiar por todos os meios as legítimas pretensões dos cidadãos e tomadas de posição públicas e deliberativas das freguesias do município.

Desta deliberação deverá ser dado conhecimento a: todos os órgãos das Freguesias do Município de Estarreja; todos os órgãos dos municípios do distrito de Aveiro; todos os órgãos da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro; a Associação Nacional de Freguesias; a Associação Nacional dos Municípios Portugueses; o Sr. Presidente da República; a Sr.ª Presidente da Assembleia da República; os Presidentes dos Grupos Parlamentares dos Partidos Políticos com assento na Assembleia da República; o Sr. Primeiro-Ministro; o Sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares e da Presidência do Conselho de Ministros e o Sr. Secretário de Estado das Autarquias locais.
Estarreja, 15 de Dezembro de 2011
Os membros do Grupo Municipal de Estarreja do PS,