Jornal de Estarreja (JE): Que avaliação faz do resultado eleitoral de 11 de Outubro?
Marisa Macedo (MM): Penso que espelha bem a realidade de um concelho maioritariamente composto por pessoas que se contentam com muito pouco, facto que me preocupa imenso, porque vivo aqui e porque sinto, como muitos, que Estarreja está em perfeito declínio, principalmente se compararmos com outros municípios de idênticas características.
Considero uma pena esta falta de ambição, porque podíamos ser um concelho desenvolvido, onde todos lucrássemos, não só em qualidade de vida, mas também em termos económicos, desde que fosse gerido por políticos com visão, lutadores e com ideias. Desses que, após dois ou três mandatos, fazem das suas terras lugares inquestionavelmente melhores.
Por cá, a maioria contenta-se com tão pouco, que a Coligação nem sequer disse o que pretendia fazer nos próximos quatro anos e, mesmo assim, ganhou.
Além disso, as pessoas são, de um modo quase clubístico, maioritariamente do PSD e do CDS. Muitas nem sabem bem porquê, mas votam nestes partidos seja lá quem for o candidato, esquecendo-se que quem pode ser determinante para que uma terra seja, ou não, desenvolvida, são as pessoas que escolhemos para as dirigir e não os partidos por onde se candidatam.
JE: O Partido Socialista apostou forte nesta campanha eleitoral. O que correu mal?
MM: As pessoas preferiram a Coligação.
JE: Estava à espera de um resultado tão diferenciador?
MM: Não me surpreendeu, porque sei bem como é que as coisas se passam por cá. Cheguei a ter esperança que os estarrejenses gostassem mais da sua terra do que do seu partido e, por isso, votassem em quem lhes apresentasse um projecto de futuro para Estarreja, pensado, fundamentado, que seria posto em prática por pessoas com competência e, por isso, até divulgámos o curriculum dos candidatos.
Mas também não me surpreendeu, porque quinze dias antes, os estarrejenses escolheram a Dra. Manuela Ferreira Leite para Primeiro-Ministro, quando nem o próprio PSD nacional a quer, e quando ela tinha sido muito clara ao afirmar que rasgaria os compromissos do Governo PS nas matérias que incluíam o que há-de ser o futuro hospital de Estarreja. E eu julgava que ter um hospital novo era importante para os estarrejenses. Digo isto, porque foi o que de mais produtivo resultou para Estarreja da minha passagem pela Assembleia da República. O hospital foi conseguido mesmo contra a vontade do Dr. José Eduardo, que defendia a integração de Estarreja no hospital de Ovar. Agora, espero que a Coligação não faça o que puder para travar a sua vinda para cá e depois culpe o Governo, como é costume...
JE: Continuaria a apostar em Fernando Mendonça para encabeçar a lista?
MM: Por mim, desde que queira, terá sempre o meu apoio, mas não o vejo com vontade de repetir, o que compreendo, mas lamento. Continuo a achar que ele é a pessoa que poderá ser o melhor Presidente de Câmara de Estarreja, depois do Dr. Vladimiro Silva, devido à sua capacidade política e à sua personalidade. No entanto, há outras pessoas militantes e simpatizantes do PS que também têm condições para desempenhar essas funções. Logo veremos quem está disponível para a luta e quem tem um projecto que entusiasme, antes de mais, o Partido Socialista.
JE: A nível de Juntas de Freguesia, Avanca continua a vencer, mas as outras apostas não se mostraram vencedoras. Foi difícil arranjar candidatos?
MM: O PS teve o cuidado de candidatar aos diversos órgãos autárquicos pessoas competentes, sérias, que não dependessem da Câmara para viver, para lhes garantir liberdade de decisão e de reivindicação, pessoas bem inseridas socialmente, que não estivessem envolvidas em processos judiciais, por exemplo. Não sei para quê tanta preocupação, porque os estarrejenses preferiram pessoas que dependem financeiramente da Câmara; pessoas que chegaram a vender bens pessoais à própria Junta; pessoas que dizem mal em todo o lado do presidente da Câmara, mas a quem este garantiu emprego para familiares em véspera de eleições; pessoas que se queixam que a Câmara nada faz nas suas freguesias mas que, na hora das eleições, se candidatam ao lado de quem os trata mal; pessoas que confessam que falsificaram assinaturas de outros sem o seu consentimento, para além de outros exemplos, com os quais não me identifico.
Para mim, o cúmulo deu-se em Canelas. O Camilo Rego demitiu-se de presidente da Assembleia de Freguesia de Canelas em protesto pela Câmara não fazer nada na sua freguesia, ano após ano, promessa após promessa. Conseguem mostrar-me atitude que demonstre mais a defesa dos interesses de uma freguesia? Pois os canelenses votaram na sexta ou sétima escolha do PSD, numa pessoa sem qualquer experiência política, em vez do Camilo Rego. Nos dois últimos meses antes das eleições autárquicas, era um corropio de obras em Canelas. Julguei que as pessoas não se deixariam enganar. Depois disto, só posso concluir que gostam mais do PSD do que da sua própria freguesia, porque continuam a votar em quem só se lembra delas na hora das eleições.
Aliás, o resultado destas eleições fez-me lembrar algumas pessoas que são vítimas de violência doméstica e que aguentam anos e anos, porque acham que bater até é uma forma do parceiro lhes demonstrar o seu afecto. Um dia, percebem que desperdiçaram a vida com alguém que não valia a pena e que tinham sido bem mais felizes com outra pessoa. Quem sabe, um dia, os estarrejenses vão perceber que gostar de Estarreja não é deixá-la ficar cada vez mais para trás durante três anos e nove meses e fazer obras de fachada nos três meses antes das eleições. Um dia, quem sabe...
JE: Face ao resultado eleitoral, porque não colocou o lugar de Presidente da Concelhia do PS à disposição, dado que esta foi, acima de tudo, uma escolha política e pessoal?
MM: Não houve um único militante que tenha sequer aflorado essa questão e eu respondo perante os militantes. Se percebesse que era indesejada, seria a primeira a retirar-me, mas isso não aconteceu, antes pelo contrário. Por muito que custe à Coligação, que tanto se esforça em dizer o contrário, não há divisões no PS. Há muita gente que pensa diferente, mas que tem conseguido entender-se, sem andarmos por aí a escrever mal uns dos outros, como ainda há um ano acontecia entre os Presidentes da Junta PSD e o Presidente da Câmara, e tal como se leu na entrevista que o JE publicou, ainda na semana passada. Se calhar, é isso que nos falta para ganharmos eleições em Estarreja...
O Fernando Mendonça foi escolhido, por voto secreto, por todos os membros da Comissão Política, onde me incluo, com o voto também dos suplentes, porque convoco sempre todos, para todas as Comissões Políticas. Foi escolhido por unanimidade e com entusiasmo. Aliás, até hoje, não me consta que haja arrependidos.
Mas também gostaria de dizer que, caso houvesse contestação interna, não vinha nenhum mal ao mundo e até animava um bocado, agora que falta tanto tempo para as próximas eleições autárquicas.
JE: O Partido Socialista fez uma das melhores campanhas eleitorais dos últimos anos. Como foi financiado tão grande investimento?
MM: Foi, de facto, uma grande campanha eleitoral. Teve tudo: um óptimo candidato, que tem ideias, que sabe falar e tem visão. Teve projectos exprimidos com clareza, empenho, uma música muito boa, uma imagem gráfica excelente. Um dos outdoors até foi eleito o melhor da campanha a nível nacional. A Coligação, que começou por dizer que era "vergonhoso" utilizar crianças na campanha, acabou a imitar-nos num outdoor, onde o Dr. José Eduardo surgia no meio de várias crianças e jovens, o que diz bem da coerência do seu discurso. Foi uma campanha que teve uma coisa rara hoje em política, que foi conseguir gerar entusiasmo. Tudo isto deveu-se a muita gente, mas principalmente ao candidato Fernando Mendonça e ao Tó Bernardes, o responsável pela imagem. Ambos são muito bons no que fazem.
Por incrível que possa parecer, não ultrapassámos o orçamento num cêntimo sequer. O Estado dá a cada partido, em cada um dos concelhos portugueses, um montante para usar na campanha eleitoral, de acordo com os resultados obtidos nas últimas eleições autárquicas. A Coligação recebeu do Estado mais do dobro do que nós recebemos. Nós fizemos o que fizemos com muito trabalho voluntário, mas sem gastar um cêntimo a mais. E a Coligação? O que fez ao seu dinheiro?
O PS Estarreja está disponível para mostrar quanto gastou, e em quê, desde que a Coligação aceite mostrar onde gastou, pelo menos, duas vezes mais do que nós.
Além do dinheiro que vem do Estado, a Coligação ainda pagou a sua campanha com dinheiro da Câmara, desde as viagens de mais de mil idosos à Quinta da Malafaia a quatro dias das eleições; desde os 13 mil exemplares da revista autárquica; desde os convites panfletários enviados por correio para todas as casas, em período eleitoral, pagos pela autarquia; desde os mais de 32 mil euros que pagou à Rádio Voz Ria, em vésperas de eleições, para continuar a garantir os seus serviços... Não esquecendo as inúmeras inaugurações realizadas durante a campanha, que pararam no dia 12 de Outubro até hoje.
Essa é uma das minhas curiosidades: sabendo o preço das coisas e o que foi feito, onde é que a Coligação gastou mais do dobro do que nós gastámos?
JE: O Partido Socialista local está a necessitar de uma remodelação?
MM: O que está a necessitar de remodelação, na minha opinião, são as consciências e não só as políticas. É preciso remodelar as consciências associativas e as consciências sociais. E até as consciências jornalísticas concelhias, por exemplo.
É preciso perceber que, a continuar assim, alguns que têm um qualquer poder em Estarreja, podem garantir hoje o seu ordenado mensal mas, seguramente, não garantem o futuro de Estarreja, nem a permanência dos nossos filhos por aqui. Aliás, é notório o abandono do concelho por parte dos jovens, principalmente dos mais qualificados.
Quanto à remodelação do PS, até já mudámos para uma sede nova!
JE: A nível público, Marisa Macedo foi "acusada" muitas vezes de "prejudicar" a campanha de Fernando Mendonça, exactamente porque consideravam que quem ia governar era a presidente da concelhia e não o candidato. Quer comentar?
MM: Só quem não conhece o Fernando Mendonça e não me conhece a mim é que pode ter uma ideia com esse "requinte"! Essa é só mais uma das várias mentiras postas a circular pelo PSD. Quem nos conhece sabe que, qualquer um de nós mandar no domínio do outro, é tão verdade como a existência do Pai Natal. Mas há quem acredite no Pai Natal, apesar de normalmente não ter idade para votar... No entanto, reconheço que a máquina de maledicência do PSD funcionou muito bem contra mim nos últimos anos, porque têm muito jeito para a mexeriquice. Passaram de mim a imagem de autoritária e arrogante, ao que logo se associa o "manda" no marido e em quem estiver por perto. Devo dizer que, se mandasse no meu marido, podia-me ter casado com ele por engano, mas seguramente não permanecia casada com ele ao fim de 15 anos e com vontade de continuar, porque detesto gente "mole" e sem personalidade. Gente dessa há mais do que suficiente por aí, mas não tem nada a ver com o que tenho em casa. Por esse mesmo motivo, tenho-me dado bem com os eleitos do PS, porque também são tudo, menos "moles".
Apesar de tudo, confesso que não me incomoda nada a imagem de autoritária e arrogante. Aliás, podia ter-lhes dado para dizer outras coisas piores...
O meu problema é que levei muito a sério o que aprendi na catequese. Acho que todos merecem respeito, mas que se devem enaltecer os honestos, os inteligentes, os trabalhadores e os indivíduos de carácter, por isso não consigo exprimir grande simpatia por alguns que têm poder em Estarreja para influenciar os cidadãos, porque não se encaixam no meu quadro de valores. Entendo que a política serve para transformarmos a vida da comunidade para melhor. Quando somos eleitos, não para exercer o poder, mas para ocupar um lugar na oposição, devemos denunciar os atentados aos interesses concelhios (o que pressupõe não os fazer, quando estamos no poder). Como não dependo da Câmara para nada, tenho mais liberdade para dizer o que entendo e fi-lo, como por exemplo em relação ao "desaparecimento" de areia do Parque Eco-Empresarial, que dava para financiar o próprio parque. Como tenho a minha vida em ordem, e como só falo do que tenho a certeza, a Coligação não tinha por onde me pegar. Daí fazerem passar a imagem de autoritária e arrogante. Podia ser pior... Reconheço que também não tenho grande jeito para fazer aquela figura de "pateta alegre", que cumprimenta toda a gente, fingindo que os conhece, porque julgo que as pessoas merecem mais respeito. Mas no meio de todos os meus defeitos, não sou assim tão má pessoa...
Aqui chegados, foi fácil para a Coligação passar a ideia de que quem mandaria na Câmara seria a Presidente da Comissão Política. Por isso é que, mesmo nos debates, José Eduardo Matos se referia muito à minha actividade política, sem que eu fizesse parte de qualquer lista candidata. Por um lado foi bom, porque sublinhou que eu tenho actividade política, ou seja, não pertenço ao lote dos que "não fazem nada". O que me surpreende é que, há deles, que continuam a dizer mal por aí, nos convívios e nos cafés, e até chegaram ao cúmulo de escreverem na parede do tribunal e num muro do centro de Estarreja obscenidades contra mim, durante a campanha eleitoral. Só prova que lhes causo, de facto, grande incómodo.
Mas mais interessante agora é saber quem é que, hoje, manda na Câmara. O Presidente não é, porque como todos sabemos, ele nunca tem culpa de nada, certamente porque, tirando a parte protocolar, não participa em qualquer decisão. Dizem que quem manda é o vice-presidente, mas também há quem diga que ele é mandado e que há muitos a quererem mandar. Confesso-me curiosa para assistir às cenas dos próximos capítulos.
JE: A concelhia do PS demorou mais de dois meses a emitir o primeiro comunicado após eleições. Porque mantiveram o silêncio?
MM: Divulgámos o primeiro comunicado quando esta Câmara conseguiu perder o outro grande investimento histórico a seguir ao IKEA, que se pretendia instalar em Estarreja, que foi a Nissan. Fizemo-lo porque, durante a campanha, a Coligação dava este investimento como garantido, mentindo às pessoas, mas com sucesso, porque ganharam.
Antes disso, não nos pareceu oportuno divulgar a distribuição de benesses aos apoiantes que se verifica na Câmara, como a quantidade de vereadores a tempo inteiro, ou a adjudicação de um cargo de "fiscal de lâmpadas", por 500 euros mensais mais IVA, por exemplo, e outras coisas semelhantes. Tinham acabado de ganhar as eleições, depois de terem contratado "cunhadas", presidentes da JSD, gente do partido, descendentes de presidente de Junta, filhos de apoiantes, etc, tudo na mais estrita legalidade. Se as pessoas continuam a votar nos mesmos é porque não deve ser grave, logo não emitimos nenhum comunicado antes da Nissan.
JE: Qual vai ser a postura da concelhia e dos deputados eleitos daqui para a frente?
MM: Vamos fazer o que entendermos ser melhor para Estarreja, sem abdicarmos dos nossos valores e ideais, na esperança de, um dia, as pessoas reconhecerem que, se o PS tivesse ganho, o futuro de Estarreja seria, certamente, diferente para melhor e decidam votar em quem tem um projecto para transformar o concelho num local que respeite a nossa tradição, mas que aspire a figurar entre os bons sítios para viver em Portugal no século XXI, onde haja trabalho bem remunerado, bom gosto e qualidade de vida, onde as oportunidades não sejam desperdiçadas, liderado por um presidente simpático, mas competente, que não nos deixe ficar mal fora de portas do concelho, onde a exigência é significativamente maior.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Marisa Macedo em entrevista ao Jornal de Estarreja
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Uma canção e um vídeo que ninguém esquece
Para a história e para sempre...
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
ComunicadoMais uma grande frustração para EstarrejaFÁBRICA DA NISSAN-RENAULT VAI PARA O CONCELHO DE AVEIRO
O Partido Socialista vem dar os “parabéns” ao Presidente da Câmara Municipal de Estarreja por ter conseguido perder mais um investimento decisivo. Neste caso a fábrica de baterias para carros eléctricos da Nissan Renault. Um facto que garante que Estarreja continuará por mais uns anos na decadência em que se encontra, coisa que parece ser tão do agrado dos estarrejenses que continuam a votar na Coligação PSD/CDS.
Depois do IKEA, também a Nissan não vem para Estarreja.
Isto é a prova de que, uma coisa é a propaganda que a Câmara faz ao Eco-Parque e outra coisa, muito diferente, é a realidade do mesmo. Quando chega a fase de instalação, as grandes empresas fogem daqui, porque não há, da parte da estrutura política da Câmara, qualquer capacidade negocial que seja capaz de prender aqui, as grandes empresas que cá se querem instalar.
Isto é a prova evidente do falhanço e da incapacidade da actual política de atracção de investimentos da Câmara.
O candidato do PS à Câmara de Estarreja nas últimas eleições autárquicas afirmou, várias vezes e atempadamente, que esta seria uma oportunidade que não poderia ser desperdiçada. Ele próprio estabeleceu contactos com o Governo, sensibilizando-o para a instalação em Estarreja da fábrica de baterias.
Em Agosto, enquanto o Presidente José Eduardo Matos estava de férias, o candidato Fernando Mendonça, quando soube das movimentações da Renault CACIA, alertou para a necessidade da Câmara – a quem sempre caberia liderar todo este processo – se movimentar no sentido de garantir a instalação da empresa em Estarreja. Recebeu como resposta, que já estava tudo tratado, que o segredo é a “alma do negócio” e que ele, Fernando Mendonça, é que queria protagonismo.
O Presidente da Câmara chegou mesmo a fazer campanha eleitoral à custa da fábrica Nissan-Renault, dando-a praticamente como um dado adquirido em Estarreja.
O resultado está à vista. A Renault Nissan – cujo processo de decisão estava hesitante entre Estarreja e Sines - escolheu, para se instalar, o município de Aveiro, que também é, tal como Estarreja, gerido por uma Coligação PSD/CDS-PP.
Reconhecemos, porém, que a maioria dos estarrejenses demonstraram gostar da postura do Presidente da Câmara e, por isso, votaram nele.
Assim, estarão, concerteza, também eles “felizes”, porque o Presidente da Câmara, mais uma vez, não os desiludiu. Quem se contenta com pouco, merece o pouco que tem.
Lamentamos apenas por aqueles que votaram no PS, que não se conformam com o marasmo e com a incompetência, que gostam da sua terra e que, como nós, continuam a viver cá.
O PS aproveita para felicitar a Comissão de Trabalhadores e Administração da Renault Cacia que, quando souberam da intenção da empresa se instalar em Estarreja, desenvolveram todos os esforços para atrair a fábrica para Cacia. É a prova provada que o trabalho, empenho e a competência dão frutos.
Contra todas as expectativas, conseguiram.
Depois do IKEA, também a Nissan não vem para Estarreja.
Isto é a prova de que, uma coisa é a propaganda que a Câmara faz ao Eco-Parque e outra coisa, muito diferente, é a realidade do mesmo. Quando chega a fase de instalação, as grandes empresas fogem daqui, porque não há, da parte da estrutura política da Câmara, qualquer capacidade negocial que seja capaz de prender aqui, as grandes empresas que cá se querem instalar.
Isto é a prova evidente do falhanço e da incapacidade da actual política de atracção de investimentos da Câmara.
O candidato do PS à Câmara de Estarreja nas últimas eleições autárquicas afirmou, várias vezes e atempadamente, que esta seria uma oportunidade que não poderia ser desperdiçada. Ele próprio estabeleceu contactos com o Governo, sensibilizando-o para a instalação em Estarreja da fábrica de baterias.
Em Agosto, enquanto o Presidente José Eduardo Matos estava de férias, o candidato Fernando Mendonça, quando soube das movimentações da Renault CACIA, alertou para a necessidade da Câmara – a quem sempre caberia liderar todo este processo – se movimentar no sentido de garantir a instalação da empresa em Estarreja. Recebeu como resposta, que já estava tudo tratado, que o segredo é a “alma do negócio” e que ele, Fernando Mendonça, é que queria protagonismo.
O Presidente da Câmara chegou mesmo a fazer campanha eleitoral à custa da fábrica Nissan-Renault, dando-a praticamente como um dado adquirido em Estarreja.
O resultado está à vista. A Renault Nissan – cujo processo de decisão estava hesitante entre Estarreja e Sines - escolheu, para se instalar, o município de Aveiro, que também é, tal como Estarreja, gerido por uma Coligação PSD/CDS-PP.
Reconhecemos, porém, que a maioria dos estarrejenses demonstraram gostar da postura do Presidente da Câmara e, por isso, votaram nele.
Assim, estarão, concerteza, também eles “felizes”, porque o Presidente da Câmara, mais uma vez, não os desiludiu. Quem se contenta com pouco, merece o pouco que tem.
Lamentamos apenas por aqueles que votaram no PS, que não se conformam com o marasmo e com a incompetência, que gostam da sua terra e que, como nós, continuam a viver cá.
O PS aproveita para felicitar a Comissão de Trabalhadores e Administração da Renault Cacia que, quando souberam da intenção da empresa se instalar em Estarreja, desenvolveram todos os esforços para atrair a fábrica para Cacia. É a prova provada que o trabalho, empenho e a competência dão frutos.
Contra todas as expectativas, conseguiram.
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