quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A Verdadeira historia do Sr. António - Assembleia Municipal de Estarreja 27/11 - “Grandes Opções do Plano e Orçamento para 2016”.



Na sequência do texto de introdução às Grandes Opções do Plano, escrito pelo Sr. Presidente da Câmara Diamantino Sabina, com a história do Sr. António (que passamos a transcrever) :
Encontrei há dias o Sr. António, aqui morador, que me cumprimentou e me deu conta da sua vida... falou-me na Jacinta, sua mulher, na Sara, no Alfredo e no Henrique, seus filhos. "A Jacinta está bem, enfim, trabalhinho não lhe falta e vamo-nos revezando no ir buscar os filhos à escola. A Sara, já no 12° ano, quer seguir Biologia. Não sei que deu a rapariga, diz que lhe interessa muito a natureza. Desde que visitou pela primeira vez aqueles percursos, aqueles que o Sr. lá tem, sabe, os de Salreu, Canelas e os outros, não fala noutra coisa. Encantou-se com as gaivotas, ou as cegonhas ou aquele pássaro raro que ê uma maravilha. O que aparece nas fotografias. Depois não larga o samba! Muito gosta ela de sambar! E não tarda chega aí o Carnaval e andamos todos numa fona! Ajudamos todos à festa! Dá trabalho mas ê giro e divertimo-nos mui to!

Alfredo, ê um encanto dum rapaz! Tem jeito para a bola e não larga aquilo. O que me vale ê que o campo ê ao lado de casa e diz-me que gosta muito do treinador. Mas tem boas notas, ê aplicado. Não sei se não terei ali Neurocirugião. E no meio de risos sussurrou-me, "quem sabe um futuro Nobel da Medicina como o Egas Moniz! n. "O meu Henrique anda no 4° ano, naquela escola nova com condições muito boas. Lembra-se do nosso tempo? Isso ê que era! E não nos queixávamos! E os livros que nos ofereceram este ano. Foi uma boa ajuda! o Henrique ê mais cerebral! Joga xadrez num clube local e toca trompete na Banda da Terra! É verdade que vão abrir escola de música no antigo colégio? E a agradável surpresa que foi ter baixado o IMI e o IRS


Com os meus três filhos a coisa correu muito bem! O emprego não é mau e até paga razoavelmente mas as despesas vão pesando. São 3 sabe? Há dias encontrei aquele nosso colega, o Beto! A vida não lhe tem corrido muito bem. Mas estava satisfeito. -Disse-me que lhe chovia dentro de casa e que a Câmara lhe tinha arranjado o telhado. Ainda lá gastaram 3 ou 4 mil euros. Sim senhor, boas práticas sociais. Fiquei contente por ele. Também ouvi que o iam apoiar na renda! Merece, é trabalhador, mas o desemprego bateu-lhe à porta. É a vida! Olhe, há dias fui ver aquela fadista ao Cine-Teatro! Que voz, que mulher! E sabe que o meu pai também anda por lá a fazer teatro!? Já lhe disse, tenha é juízo homem! Agora com 70 anos. Mas não há maneira de o demover. Diz que anda satisfeito, animado e entretido! A minha mãe meteu-se nisso do Voluntariado. Está numa IPSS e dá o litro mas anda ocupada e digo-lhe urna coisa, diz que até já nem as artroses lhe doem! Sabe que eu vivo aqui perto da Câmara, naquelas casas velhas perto da estação. Também precisam de obras. Vim aí à Câmara para saber como havia de fazer e qual não foi o meu espanto quando me disseram que em breve terei grandes vantagens na sua conservação! Pois é, isto tem evoluído e vemos as melhorias de ano para ano! Não nos falta indústria, nem boas escolas, um excelente museu, boas estradas, muita cultura e o nosso Carnaval! As festas de Santo António deram um sal to mui to grande! Que desafogo e qualidade! Em breve teremos um mercado novo, dizem-me com restaurante dedicado ao peixe!" Então o Sr. António, fitou-me nos olhos, agarrou-me num braço e disse-me "Meu Caro Presidente, que bom é viver-se aqui!".


 
O Grupo do Partido Socialista de Estarreja na Assembleia Municipal que teve lugar no passado dia 27 de Novembro, partilhou com toda a Assembleia a “Verdadeira história do o Sr. António”: 
Encontrei há dias o Sr. António, aqui morador, que me cumprimentou e me deu conta da sua vida. Falou-me na Jacinta, sua mulher, na Sara, no Alfredo e no Henrique, seus filhos. "A Jacinta está bem. Enfim, torceu um pé há dias, a correr atrás de uma galinha e teve que ir parar às urgências a Aveiro para fazer uma radiografia, porque radiografias em Estarreja já são uma recordação tão antiga como o fecho do hospital. E já nem falo no novo hospital que já nem veio. Falo do velho que já se foi. É uma pena!”

A Sara já está no 12° ano e quer seguir Biologia. Não sei o que deu à rapariga, diz que lhe interessa muito a natureza. Sempre que visita aqueles percursos, aqueles que o senhor lá tem, sabe, os de Salreu, Canelas e os outros, não fala noutra coisa. Diz ela que alguém tem que fazer alguma coisa por aquilo. Há ervas por todo o lado. Não há sitio para comprar um água, nem fazer um xixizinho, enfim. Diz que aquilo são só meia dúzia de placas e muita publicidade. Já não é mau! Depois, a minha Sara, não larga o samba. Gosta muito. Ouviu dizer que vão pagar uma fortuna a uma empresa de fora para fazer um estudo sobre como fazer o Carnaval. Mais ou menos 70 mil euros de estudo! Ela diz que agora é que vai ser. Mais vale pagar-se muito a gente de fora para vir cá dizer como há-de ser o Carnaval, do que pagar-se como deve ser aos grupos da terra, que já têm muito e se calhar nem servem para nada! O desfile até se fazia sem eles e tudo. Eu por mim até punha era a desfilar empresas de fora! Não tarda está aí o Carnaval e andamos todos numa fona, sobretudo o vereador da Cultura a fiscalizar as contas! O trabalho que as contas lhe devem dar até perceber como é que aquilo com dois dias de sol dá prejuízo e no ano seguinte, com um dia de sol e outro de chuva, dá lucro! Dá trabalho, mas é giro e divertimo-nos muito.
O Alfredo é um encanto de um rapaz. Tem jeito para a bola e não larga os treinos. Feitos em bom tempo, os campos do Estarreja e do Avanca!  O treinador que é antigo já lhe disse quem os ajudou a construir! O rapaz tem muito boas notas e é aplicado. Não sei se terei ali neurocirurgião. Mas se for já o avisei: ó rapaz ainda vais ter que ir para Lisboa, porque aqui já nem sequer tens hospital!

O meu Henrique anda no 4º ano. Coitado. Foi deslocado da escola primária e o edifício está lá agora ao abandono a criar erva no recreio. Lembra-se no nosso tempo? Isso é que era. Eramos nós a apanhar a erva e nem nos queixávamos. Se calhar, um destes dias, ainda compram mais um estudo, desta vez para ver o que fazer às antigas escolas. Não conhecerá o Senhor Presidente ou alguém do seu gabinete, um amigo nessa área? Se calhar conhece!

Este ano, vá lá, aproveitaram uma ideia do programa eleitoral da oposição e lá ofereceram os livros. Foi uma boa ajuda. Qualquer dia ainda aproveitam a ideia da oposição para o Carnaval e escusam de estar a gastar 70 mil euros para pagar aos tais de fora, que hão-de vir cá dizer como é que o nosso carnaval há-de ser! Nada como vir gente de fora para nos ensinar a trabalhar com aquilo que nós criámos!

O meu Henrique toca na Banda da terra. É o que lhe vale. Já o avô dele tocou! Já era o senhor o Presidente na altura do avô?

É verdade que vão abrir uma escola de música no antigo colégio? Caramba, já não é sem tempo. No último ano daqueles malandros dos socialistas parece que já estava tudo pronto para isso avançar. Mas o Sr. Presidente fez muito bem: 14 anos a amadurecer a ideia é uma boa decisão. Assim a escola há-de vir perfeitinha. Oxalá é que não lhe aconteça como à Escola profissional de Aveiro. Também era para vir este ano e olhe, foi parar a Sever do Vouga. Que pena!

E a agradável surpresa que foi ter baixado o IMI e o IRS? Olhe que até fiquei parvo, Sr. Presidente. Depois da oposição andar estes anos todos a reivindicar isso e a deixá-lo escrito nas atas da Câmara e da Assembleia, eu nunca pensei que o senhor desse o braço a torcer. Mas digo-lhe uma coisa: só para contrariar esses sacanas da oposição, eu até nem me importava de estar a pagar mais…

Com os meus três filhos está a correr muito bem! Emprego para mim é que não há. E sabe, as despesas vão pesando e não ter dinheiro para as pagar é um problema. Eu bem estou à espera do IKEA, da CINCA, da tal empresa de Barcelona que vinha salvar isto, de uma qualquer empresa que se instale no Parque, mas nada! Pode ser agora que, com aquele senhor que contrataram a peso de ouro para trazer empresas para cá, a coisa avance. Olhe, já agora, por aquilo que pagaram àquela consultora (que acho que tem qualquer coisa a ver com o Mira Amaral, conhece?) que fez o plano estratégico, não era de lhes exigir que se mudassem para o Parque? Estou a brincar, Sr. Presidente! Eles fizeram um trabalho fantástico. Genial mesmo. Nunca me tinha ocorrido ideias daquelas para esta terra! Valem bem os 60 mil euros gastos. Abençoado dinheirinho!

Há dias encontrei aquele nosso colega, o Beto! A vida não lhe tem corrido muito bem, mas se a vida não corre bem a alguém em Estarreja é porque esse alguém é muito nabo! E no fundo é o que ele é! Mas estava satisfeito. Disse-me que vivia num autêntico barraco, mas que houve uma instituição de solidariedade local que o transformou numa casa. Vá lá. Olhe e está desempregado! Como é possível? Se ao menos tivesse jeito para ir procurar empresas para o eco-parque ou fosse uns tempos aprender carpintaria para Guimarães, a Câmara ainda lhe arranjava emprego. É um nabo, esse Beto! Ó Sr. Presidente, não se arranja uma avençazita, lá na Câmara para o rapaz, não?

Por falar em Guimarães: vou-lhe contar um detalhe que até tem o seu encanto. Há dias fui para ver uma fadista ao Cine-teatro, mas já não havia bilhetes. Disseram-me é que numa fila do meio estava lá muita gente que foi ver à borla com bilhetes dados pela Câmara. O que vale é que a mulher cantava alto o fado e eu até cá fora ouvi. Que voz! Ia dizer “que mulher!” mas realmente nem a vi, porque à minha frente só estava a bilheteira.

E sabe que o meu pai também anda a fazer teatro? É verdade. Vai todos os anos consigo ao passeio dos idosos comer o almocinho e nunca lhe disse que votava nos comunistas. Sacana do velho! É cá um ator! E não há maneira de o demover. Diz que para o ano é que vai ser bom e, então, daqui a dois, nem se fala. Vêm aí eleições e ele, com a experiência que tem, diz que quando começa a cheirar a eleições não se poupa na xixa! Não lhe doem as costas nem nada.

Sabe que eu vivo numa casa perto da estação! Bem, da estação salvo seja, porque a estação que lá estava vocês fizeram-lhe o mesmo que às árvores do Mirantuã!

Mas, enfim, disseram-me que em breve teria ajuda na conservação da casa! Ainda bem, mas a ver pelas casas que por ali estão degradadas: na avenida, na rua até ao TJA e no outeiro da Marinha, a Câmara ainda lá vai gastar mais do que aquilo que pagou pelo Plano Estratégico!

Pois é Sr. Presidente. O senhor bem diz naquela revista colorida que nos manda para casa pelo correio e que é feita ali numa gráfica em Albergaria (catano, se eu diria que em Albergaria há alguma gráfica que faça aquilo!) que as coisas têm evoluído. E têm. Evolui no desempego, nos jovens que se têm ido embora, nos chapisco de alcatrão que dão às estradas, no número de contratados para a câmara e vai evoluindo alguma coisinha nos municípios à volta.

Olhe, as despesas com pessoal é que têm evoluído tanto que no orçamento para o próximo ano, já representam quase o dobro do investimento previsto para o concelho!
Como é que eu sei isto? Ó Sr. Presidente, com tanta cultura e educação que o senhor diz que há, então acha que eu ia ler só o boletim municipal e os jornais da terra?!


As festas de Santo António deram um salto muito grande. Saltaram para o Parque e deixaram a praça às moscas. Que salto! Perece-me bem, porque os insetos também têm direito ao Santo. E mostra muito respeito pela biodiversidade!

Que desafogo, a Praça sem gente! Que qualidade.

E em breve vamos ter um mercado novo. Eu diria até mais. Era bom que, em breve, tivéssemos era um mercado! Porque neste, há dias em que os comerciantes nem uma couve ou um par de ceroulas de pijama vendem!

Então o Sr. António agarrou no braço do Presidente e disse-lhe: “meu caro Presidente, deixe lá um bocadinho a propaganda. O orçamento mostra que a ambição é nula e as perspetivas de desenvolvimento não existem. Publicitar o quê, Sr. Presidente? Uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma? Veja lá se justifica o lugar que lhe deram! Nesta terra não se passa mesmo nada!”

O Presidente olhou para o Sr. António e pensou para consigo: “o melhor é nunca mais ligar às histórias do Sr. António…”.

E nisto passou um guarda-rios que ia até ao Bioria ver se já tinham feito as obras no dique do Baixo Vouga ou se os terrenos continuavam a ser destruídos com água salgada!

O guarda-rios também é outro que tal! Em vez de estar quietinho colado ao espetacular “multiusos” e a fazer de conta… como o “multiusos”!
 
 
Grupo Municipal do Partido Socialista