segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Hospital Visconde de Salreu vai ser transformado apenas numa Unidade de Cuidados Paliativos

Ou seja, local onde esperarão a morte os pacientes do Baixo Vouga
Governo quer dar 900 mil euros para que a imagem de Estarreja fique, mais uma vez, associada à morte depois da Indústria Química
Partido Socialista contra


Fernando Mendonça, Madalena Balça e Catarina Rodrigues, vereadores do PS na Câmara Municipal de Estarreja entendem que o fim anunciado do Hospital de Estarreja e a sua reconversão quase exclusiva numa unidade de cuidados paliativos que servirá toda a região do Baixo-Vouga, por muito respeitável e necessário que seja o serviço, é um insulto à população de Estarreja. Por muito malabarismo de retórica argumentativa que o PSD e o CDS usem, este serviço, por si só, de nada vai servir para a melhoria dos cuidados de saúde por parte da população local.
Pelo contrário!
O investimento de 900 mil euros agora anunciado localmente com toda a pompa é um ato demagógico e serve apenas para atirar ‘areia aos olhos’ da população.Ninguém em Estarreja poderá ficar satisfeito por ver trocado um conjunto de serviços hospitalares verdadeiramente importantes para a população, como a cirurgia de ambulatório e o desmantelamento do bloco operatório, por uma unidade que servirá apenas um setor muito específico de doentes e, ainda por cima, na sua grande parte de fora do município, que para cá virão aguardar a morte.
O serviço de cuidados paliativos poderia vir sim, mas enquadrado num Hospital que albergasse todos os outros serviços que estavam previstos para o novo hospital projetado para junto do atual Centro de Saúde e do Quartel dos Bombeiros, na Teixugueira, que foi anunciado pelo anterior governo do PS e cujo projeto funcional estava a avançar, mas que foi totalmente anulado e deixado cair por este Governo e pela Câmara de Estarreja.
O Partido Socialista não pactua com a destruição das estruturas de saúde existentes em Estarreja, nem com esta política do atual governo.Está em causa o interesse de Estarreja, está em causa o mais elementar direito da população que é acesso condigno e eficaz à saúde
O Partido Socialista sempre defendeu a existência de um Hospital em Estarreja adequado às necessidades da população e consentâneo com a realidade Industrial existente no município.
Ao longo dos últimos tempos, sobretudo nos últimos três anos, o processo de degradação e de desvalorização do Hospital Visconde de Salreu tem sido uma triste realidade, ditada por um governo do PSD/CDS-PP, que não só está empenhado em destruir o sistema nacional de saúde tal como o conhecemos, como revela uma total sobranceria e desprezo e pelas necessidades dos cidadãos. Triste, no meio de todo este processo que se tem desenrolado à vista de todos, tem sido a passividade da Câmara Municipal de Estarreja.
Para um melhor enquadramento e perceção dos acontecimentos graves que no campo da saúde têm acontecido em Estarreja, junta-se uma cronologia de factos que revelam bem a as tomadas de posição que o PS e a Câmara têm assumido sobre esta matéria.Fica para memória futura, na consciência de qua história julgará todos aqueles que por ação ou inação participaram neste processo ao longo dos últimos anos:


Hospital Visconde de Salreu - Breve cronologia
- Setembro 2006: Anúncio da intenção do encerramento da urgência – Posição da Câmara face ao governo PS: Município elaborou Documento Contestação / Manifesto justificativo da Manutenção dos Serviços de Urgência.
- Setembro 2006. PS Estarreja assume posição contra o fecho das urgências
- 6 Novembro de 2006: Anúncio do resultado de um abaixo-assinado promovido pelo Presidente da Câmara, Presidentes de Junta, da Comissão de Utentes, do PSD, do CDS/PP e do PCP locais que recolheu 12.550 assinaturas de utentes conforme anunciado. O Presidente da Câmara Municipal, dizendo-se indignado, enviou ao Ministério da Saúde um documento e de acordo com as notícias de então acusava o Governo de falta de diálogo.
- Setembro de 2006: Comissão de Utentes do Hospital de Estarreja organiza ações de protesto
- Outubro a Dezembro 2006: Organiza-se manifestações e velórios de protesto. O Presidente da Câmara participa.
- 23 de Julho de 2007: assinado um Protocolo entre a Câmara e o Ministério da Saúde do então Governo PS, com o objetivo de minorar o encerramento do serviço de urgências. Correia de Campos, então ministro, esteve em Estarreja. Protocolo previa requalificação do Hospital Visconde de Salreu com vista à qualificação da atividade na cirurgia de ambulatório, internamento de medicina e cirurgia, cuidados continuados e serviços de apoio aos centros de saúde de Estarreja e Murtosa, no âmbito da patologia clínica e medicina física e reabilitação. Previa ainda o aumento de consultas de especialidade, nomeadamente de obstetrícia/ginecologia, pneumologia, pediatria, fisiatria e outras especialidades que o hospital, dentro do seu perfil, entendesse no futuro serem importantes para o seu desempenho. Na base destas propostas esteve um documento de trabalho elaborado pelo PS Estarreja e discutido na Assembleia Municipal.
- Fevereiro de 2008: Presidente da Câmara defende construção de hospital Ria Norte para servir Ovar/Murtosa e Estarreja
- Setembro de 2008, o PS, numa iniciativa liderada pela então deputada à Assembleia da República Marisa Macedo, com o apoio do também deputado Afonso Candal, propõe construção de um hospital novo em detrimento das obras de ampliação do atual.
- 14 de Fevereiro 2009: o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, veio ao Hospital do Visconde de Salreu anunciar a construção de raiz do novo hospital, coincidindo com a tomada de posse do novo Presidente do Conselho de Administração, Pedro Almeida, ficando aí decidido avançar para a elaboração do plano funcional.
- 2009/2010: Presidente da Câmara resolve alterar localização do Hospital, propondo a construção no terreno do antigo matadouro municipal. Plano funcional volta à ‘estaca zero’.
- 22 Março de 2011: Secretário de Estado Óscar Gaspar garante que o novo Hospital de Estarreja fica pronto em 2014. Governante homologou deliberação da Administração Regional de Saúde do Centro. Obra do novo hospital deveria arrancar até Março de 2012. Explicou, nessa data, o presidente da ARS, João Pedro Pimentel, que no novo hospital “valorizaremos a cirurgia de ambulatório, os cuidados continuados, consulta externa e a fisiatria. Estas são as quatro grandes linhas mestras que presidiram ao programa funcional”. A infra-estrutura terá uma ocupação entre 50 a 60 camas.
- Eleições Legislativas de 2011: O governo cai na sequência das eleições. A Coligação PSD/CDS passa a governar o país (a mesma que governa Estarreja). O novo governo ‘deixa cair’ o projeto já em curso do novo Hospital de Estarreja.
- 15 de Dezembro de 2011: PS apresenta moção na Assembleia Municipal de 15 de Dezembro. Sobre presente e futuro do Hospital Visconde de Salreu onde traça o historial do processo e levanta uma série de questões: - Solicitar à Câmara Municipal de Estarreja toda a documentação e troca de correspondência com o Ministério da Saúde e com a Administração Regional de Saúde desde o inicio de funções do actual Governo; -Condenar toda e qualquer atitude que levará à redução das valências hoje existentes no HVS; - Exigir por parte do Ministério da Saúde e da Administração Regional de Saúde o cabal esclarecimento acerca da situação presente do HVS; -Exigir de imediato por parte do Governo o reassumir do compromisso da construção do novo Hospital, bem como o cumprimento do prazo da mesma; - Exigir a manutenção do Hospital de Estarreja e condenar qualquer tentativa de encerramento. - Exortar todos aqueles que tão rapidamente vieram a público condenar o encerramento das urgências no passado e que tão efusivamente organizaram protestos e abaixo-assinados venham hoje novamente lutar pelo Hospital.
Coligaçao PSD-CDS/PP vota contra a moção.
- 24 de Fevereiro de 2012: o Hospital Visconde de Salreu passa a integrar definitivamente o Centro Hospital do Baixo Vouga, EPE. Início de funções do novo Conselho de Administração deste novo organismo
- 17 de Abril 2013: a candidatura do PS Estarreja solicitou uma reunião com o Conselho de Administração do centro Hospitalar do Baixo Vouga. Objetivo: ouvir da administração as intenções relativas ao HVS. Administração responde dizendo que o Plano estratégico está ser ultimado e que depois reunirá com parceiros. A reunião foi recusada.
- 24 de Abril: a Cirurgia de Ambulatório de Estarreja atingiu o grau de excelência e surge em primeiro lugar na Avaliação Sinas@Hospital, - sistema criado pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS) - que visa avaliar, de forma objetiva e consistente, a qualidade dos cuidados de saúde em Portugal.
- 10 de Maio, apresentado o Plano estratégico em privado aos ‘parceiros’ da CIRA.
- 10 de Maio, Rádio Terranova: Ribau Esteves 'gosta' do Plano Estratégico. Presidente da Câmara de Ílhavo e da CIRA, 'vincou' o facto de, atualmente, existir um Centro Hospitalar com três polos, "alterações impostas pela Lei", que motivam reações negativas a nível local. "Já não há nenhum Hospital, nem em Aveiro, Águeda ou Estarreja. Isso acabou. Agora existe um Centro Hospitalar, essa é a lógica. Os Presidentes de Câmara sentem que há perdas, mas, é preciso levar em linha de conta a racionalização financeira".
- 11 de Maio: José Eduardo Matos, Presidente da CME e representante da CIRA para a saúde, conhecedor do Plano, não teve uma qualquer referência sobre a intenção de transferir a cirurgia de ambulatório do HVS para Águeda.
- 21 de Maio: Conselho executivo da CIRA reúne em Estarreja e analisa Plano estratégico do CHBV. Saúda iniciativa. Nada diz de concreto sobre fecho da cirurgia de ambulatório em Estarreja.
- 5 de Junho. Candidatura do PS Estarreja pede ao Conselho de Administração do CHBV nova reunião/visita ao HVS. Não obtém, de novo, resposta.
- Setembro 2013. Candidatura do PSD/CDS-PP às autárquicas, em plena campanha, entrega na Câmara um alegado Plano Estratégico para o Hospital. Nunca mais se ouviu alar de tal documento.
- Setembro 2013. Eleição autárquicas. Vence Coligação PSD-CDS/PP.
- Outubro 2013. Cirurgia de ambulatório do HVS, que foi considerada a melhor do país, é transferida para Águeda 3 dias por semana e fica em Estarreja 2 dias.
- Jan 14. Cirurgia de Ambulatório fica apenas um dia por semana em Estarreja.
- Março 2014. Consulta Aberta que funcionava no Hospital entre as 8 e as 24h, todos os dias, muda para o Centro de Saúde. Porém só funciona como consulta aberta depois do horário de fecho do Centro de Saúde.
- Funcionários do HVS pressionados para se transferirem para Aveiro. O que vai sucedendo.

-Setembro 2014 – Secretário de Estado da Saúde visita o Hospital e anuncia 900 mil euros para uma Unidade de Cuidados Paliativos para servir toda a região do Centro Hospitalar do Baixo Vouga. Ou seja, os serviços hospitalares em Estarreja passam a estar reduzidos, na prática, a essa valência.
- Outubro de 2014 – membros da Coligação na Assembleia Municipal elogiam a vinda da Unidade de Cuidados Paliativos como algo de muito bom para o município.
- Outubro de 2014 – PS Estarreja insurge-se novamente contra essa mudança, defende a manutenção do Hospital Visconde de Salreu e recorda a anulação do projeto do Novo Hospital da autoria do anterior governo, por este governo PSD-CDS/PP.
(Posição assumida pelos vereadores do PS na sessão de Câmara de Outubro de 2014)