segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Quando Falta o que Inaugurar, Inventam-se Inaugurações


A coligação PSD/CDS que governa a Câmara de Estarreja, à falta de obras para inaugurar, já reinaugurou com pompa e circunstância a Casa Museu Egas Moniz por duas vezes: em 2009 e, agora, em 2013!



Ontem, tivemos mais um exemplo disso mesmo, com mais uma festa de reabertura feita com pompa e circunstância, com direito a figurar no programa de comemorações de elevação de Estarreja a cidade.

Em julho de 2009, já tinha havido outra cerimónia de reabertura. Dessa vez integrada nas comemorações dos 60 anos do Prémio Nobel (inclusivamente, com a presença da Ministra da Saúde da altura, Drª Ana Jorge).

Ou seja, a Câmara, volta e meia, decide fazer reaberturas da casa museu, depois de longos períodos em que nada acontece, como foi o caso desta vez.

Além disso, depois de cada reinauguração, constatamos que tudo está, basicamente, como sempre esteve.

O PS não tem nada contra as reaberturas. O que se assinala é que elas, de forma propagandística e anunciadas como grandes acontecimentos, mais não servem do que para camuflar o tempo que o museu esteve encerrado. O PS nada tem contra o facto de se realizarem trabalhos de recuperação do imóvel (antes da reabertura de 2009 gastaram-se perto de 250 mil euros e agora gastaram-se mais 155 mil...).

O que o PS lamenta são os factos que se constatam aquando da realização de cerimónias destas:

- Por um lado, o ridículo de se fazerem reaberturas com todo o folclore associado, como se de grandes acontecimentos se tratassem, quando o mais lógico era a Câmara humildemente assumir um pedido de desculpas perante a população pelos anos em que a Casa Museu esteve fechada;

- Por outro, o tempo de encerramento do imóvel. Foram vários anos perdidos de promoção da Casa Museu e de todo o potencial promocional associado ao nome de Egas Moniz e ao seu legado. Os problemas encontrados não podem servir de justificação para o tempo que se perdeu.

- Por último, a constatação da ausência de um modelo de desenvolvimento cultural e científico do município, que englobe a estrutura física da casa museu e dos espaços envolventes e o próprio nome de Egas Moniz enquanto uma das grandes figuras portuguesas do século XX.

A falta de uma ideia ou de um projeto global para aquele espaço, têm resultado no total desaproveitamento de uma legado que poderia ser decisivo na dinamização socio-cultural e científica do município e, especialmente, de Avanca. Na falta disso, a Câmara faz intervenções desgarradas e vai anunciando, ao longo do tempo, intenções que nunca chega a concretizar (o Presidente da Câmara anunciava em 2009 a Casa Museu como polo do Museu Nacional da Saúde…).

Mais do que festas de reaberturas sem qualquer sentido, o que o Casa Museu e o município precisam é de bom senso, menos propaganda e, sobretudo, de ideias concretas e obras capazes de guindar Estarreja, as suas freguesias e as suas gentes para o desenvolvimento e progresso que todos desejamos.