sexta-feira, 24 de abril de 2009

OPINIÃO
O novo hospital:
uma grande vitória para Estarreja

Nunca fiz meus, méritos de outros e não gosto particularmente de assistir àqueles que nada fazem, tentarem obter louros à custa de quem quer que seja. Por isso vou contar o início da história do que há-de ser o novo hospital de Estarreja.
Em finais de Agosto, início de Setembro do ano passado, o Dr. Rui Crisóstomo e a Enf. Lucinda Godinho, presidente e vogal do Conselho de Administração do Hospital Visconde de Salreu, pediram para reunir comigo e com o Fernando Mendonça, porque queriam mostrar-nos a obra que o Governo tinha decidido construir, com os dois milhões de euros destinados ao Hospital do Visconde de Salreu, através de protocolo celebrado em Julho de 2008.
Traziam com eles um pequeno estudo, que a Administração do Hospital tinha encomendado. Quando percebemos que os 2 milhões seriam para fazer um paralelepípedo assente em 4 pilares, por cima do hospital, o Fernando Mendonça disse de imediato que jamais concordaria com semelhante e que defenderia a construção de um novo hospital, se viesse a ser candidato – hipótese que se equacionava – mesmo que fosse contra o Governo. Percebi que eu própria estava numa situação difícil. Era óbvio que o que se pretendia construir era um erro total, mas também era óbvio que já estava decidido, ainda por cima por um Governo que é o meu e com a total concordância da Câmara de Estarreja. Acontece que considero que não se deve deixar o Governo cometer erros, principalmente na terra onde nascemos. A escolha do novo hospital parecia-me a melhor, sem ser preciso qualquer estudo. Bastava fechar os olhos e imaginar a obra prevista!
Perguntámos ao Dr. Rui e à Enf. Lucinda se já tinham transmitido o que nos estavam a dizer a alguém. Responderam que sim, mencionando todos os nomes, desde o Presidente da Câmara, a outros técnicos. Acrescentaram que ninguém lhes tinha dado ouvidos.
A partir desse dia, o novo hospital passou a ser o nosso projecto. Apresentámo-lo publicamente em comunicado de 9 de Setembro. Quem quiser pode consultar o blogue do PS em www.ps-estarreja.blogspot.com Está lá tudo.
As reacções não se fizeram esperar. O Presidente da Câmara atacou-nos como de costume e disse que já tinha tido a ideia; o CDS, que não conhecia ideia nenhuma, apelidou-a de “irrealista”; ambos os partidos desdenharam da proposta quando a apresentámos na Assembleia Municipal e o presidente do CDS foi mais longe, afirmando que me daria um voto de louvor e uma medalha de mérito municipal, caso conseguisse fazer o Governo mudar de posição. Ninguém acreditou e ninguém fez absolutamente nada para ajudar.
Quando abordámos pela primeira vez o Afonso Candal (Deputado, Presidente da Federação de Aveiro do PS), a primeira reacção foi de total desacordo, porque o Governo não tinha qualquer intenção de construir um novo hospital e essa seria uma batalha perdida. Mas ouviu os argumentos. E isso fez toda a diferença, porque começou a considerar que, se calhar, era melhor analisar a questão. Daí passámos para o Secretário de Estado, Francisco Ramos, que aceitou vir ao local, depois da argumentação explanada. E veio. Foi no dia 22 de Dezembro de 2008.
Nesse dia, estivemos no Salão Nobre do HVS a discutir o assunto. O Presidente da Câmara considerava que o que estava previsto estava muito bem e que os 2 milhões deviam vir o mais rápido possível, não querendo saber de mais nada. Mas nesse dia, foi o dia em que toda a história mudou. Isto porque, já no pátio do Centro de Saúde, o Secretário de Estado encarregou o Presidente da ARS do Centro, João Pedro Pimentel, de fazer um estudo comparativo até 31 de Janeiro, entre 3 opções: o paralelepípedo por cima do Hospital; o aproveitamento do Lar da Santa Casa e do antigo Centro Saúde, por trás do HVS e o novo hospital proposto pelo PS. Antes desse dia, nunca as 3 hipóteses foram estudadas em termos comparativos, ao contrário do que a Câmara agora afirma. Aliás, quem lê jornais, nunca leu uma palavra do Presidente da Câmara a favor do novo hospital…
O estudo atrasou-se e na edição de 6 de Janeiro deste ano do Jornal de Estarreja, eis que surge o Presidente da Câmara a defender a construção do Hospital Ria Norte, a ser localizado em Ovar. O PS, como é óbvio, mostrou-se totalmente contra tal hipótese. Foi uma total irresponsabilidade do actual Presidente da Câmara, bem demonstrativa do que fez enquanto outros tratavam do assunto de Estarreja.
Dias mais tarde, eis que sai o primeiro estudo: entre as 3 hipóteses, verifica-se que a construção do novo hospital era a melhor. Só que a política do Governo não contemplava novas construções de hospitais de dimensão idêntica ao do nosso e a Câmara de Estarreja até nem tinha reivindicado a sua construção, querendo apenas que se aplicassem os 2 milhões de euros…
Porém, continuámos a insistir fortemente para que o Governo decidisse pela construção do novo, agora com o enorme argumento do resultado do estudo.
Quando o Presidente da Câmara de Estarreja tomou conhecimento do estudo, apressou-se a noticiar que comprou uma pequena parcela de terreno para o novo hospital, para tentar que as pessoas pensem que ele sempre lutou por esse objectivo.
Ele, do qual nunca se ouviu ou leu uma só posição a reivindicá-lo. Ele, que nunca acreditou!

Antes do PS avançar com a ideia, a base já existia no projecto da Administração do Hospital. Nós acreditámos, complementámo-la, tornámo-la pública e trabalhámos para a tornar possível. As boas ideias, como todos sabemos, exigem engenho e arte para se tornarem realidade, senão nunca passam de ideias. O PSD, o CDS, o Presidente da Câmara e os seus acólitos nunca fizeram nada, porque nunca acreditaram que seria possível. É uma questão de mentalidade. Eu estou convencida que esta Câmara pura e simplesmente não luta, não só por falta de ideias, mas também porque consideram que as coisas boas são só para os outros. Falta-lhes rasgo e capacidade de liderar. Sobra-lhes medo de arriscar.
Há momentos fantásticos, que valem todo o empenho que colocamos na luta pelas coisas em que acreditamos. Este foi um desses. Fez-nos lembrar outros dias, como aquele em que o Cine-Teatro foi adquirido ou o dia em que a TVI confirmou que viria transmitir em directo o Carnaval de 2001… Também ninguém acreditava.
Ganhámos todos. Como nas boas histórias, também aqui vamos ter um final feliz. Agora, vamo-nos empenhar até ao dia da inauguração. Estarreja ganhou um novo Hospital e pode ter muito mais, desde que quem governe a autarquia nunca perca a capacidade de sonhar, de querer, de lutar e, sobretudo, de ousar.

Marisa Macedo
Deputada à Assembleia da República e Presidente da Comissão Política do PS Estarreja
20 de Abril de 2009