sábado, 21 de fevereiro de 2009

OPINIÃO
A minha luta por um novo Hospital para Estarreja

Tenho feito tudo o que está ao meu alcance para que o Governo decida pela construção de um novo hospital em Estarreja, localizado na Teixugueira, atrás do quartel novo dos Bombeiros, aproveitando parte das instalações do Centro de Saúde. Quanto ao Hospital do Visconde de Salreu penso que poderia ser utilizado em benefício de todos, se a Santa Casa propusesse ao Estado a instalação de uma Unidade de Cuidados Continuados de Média e Longa Duração, para que o edifício continuasse ao serviço da saúde do concelho de Estarreja. Era uma solução possível.
Isto porque, devido à requalificação do Serviço Nacional de Saúde, que levou ao encerramento das nossas “urgências” entre a meia noite e as oito da manhã, o Governo decidiu investir 2 milhões de euros no Hospital Visconde de Salreu. Esse dinheiro destinar-se-ia à construção de um paralelepípedo sobre o actual edifício do hospital, para aí instalar uma Unidade de Cuidados Continuados de Curta Duração.
Ora, entendo que isto não é um investimento. Entendo que é desaproveitar 2 milhões de euros. Considero que a estética do hospital seria afectada com a construção de um novo volume que a ele se sobrepunha, tanto mais que o resto do edifício não sofreria intervenção. Além disso, obras dessa natureza demoram muito tempo, durante o qual os serviços do hospital teriam de ser suspensos, com as necessárias implicações nas receitas do mesmo, sendo que as despesas continuariam as mesmas, pelo menos com o quadro de pessoal. Mas o maior problema era o facto de, na realidade, ficarmos sem hospital por tempo longo e indeterminado. Não acredito sequer, que as obras previstas se fizessem por 2 milhões de euros, pois basta imaginar a sua dificuldade. Por último, o Estado estaria a fazer obras num edifício que nem sequer é seu e pelo qual paga cerca de 7 mil euros mensais à Santa Casa da Misericórdia…
Não concordo com essa possibilidade, mas era o que estava decidido e o Sr. Presidente da Câmara concordava plenamente com estas obras – ele e pelo menos um dos seus seguidores, já que os outros estão calados – dizendo que mais vale aproveitar os 2 milhões de euros que o Estado do quer investir, não interessando qualquer outro considerando.
Certo é que, pelo menos, o Sr. Secretário de Estado da Saúde veio a Estarreja e, perante os factos, aceitou estudar e comparar três possibilidades: uma delas a que estava prevista; outra, fazer o investimento no antigo centro de saúde e actuais instalações do lar da Santa Casa, por trás do HVS e, por último, o hospital novo que o PS Estarreja propôs, junto ao actual Centro de Saúde e ao Quartel dos Bombeiros. É o que está a ser feito a nível governamental.
Há cerca de duas semanas, porém, o Sr. Presidente da Câmara avançou com a ideia de construir um hospital denominado “Ria Norte”, que abrangesse Estarreja, Ovar, Murtosa e S. Jacinto, aliando-se ao Sr. Presidente da Câmara de Ovar, que já tinha defendido a mesma construção e oferecido o hospital de Ovar para ser ampliado para o efeito.
Confesso que fiquei atónita com semelhante posição do Dr. José Eduardo Matos!
Basta ver quem avançou primeiro com a ideia do Hospital Ria Norte; basta comparar a população de Ovar e Estarreja; basta conhecer minimamente os serviços oferecidos por Ovar e por Estarreja para percebermos que, caso o Governe opte por esta construção, onde é que a mesma vai ficar. Alguém tem dúvidas que será em Ovar?!
O Sr. Presidente da Câmara que se dizia contra o encerramento das “urgências” entre a meia noite e as oito, pelo facto de termos de recorrer a Aveiro, defende agora que passemos a ser todos atendidos durante as 24 horas do dia, em Ovar! Alguém compreende? Na prática essa é uma das consequências da hipotética construção do tal Hospital Ria Norte. A segunda consequência é o encerramento do Hospital Visconde de Salreu. Evidentemente que, com a existência do Hospital de Aveiro e se porventura fosse construído o tal Hospital “Ria Norte” que o Sr. Presidente da Câmara defende, não havia qualquer justificação para manter um hospital em Estarreja.
Eu não concordo. Ainda não encontrei ninguém que concordasse. Acho um absurdo querer que Estarreja fique dependente de Ovar a nível dos cuidados de saúde. Acho lamentável que se defenda uma proposta que implique o fim do nosso hospital. Trata-se de uma total falta de ambição e de visão por parte do Sr. Presidente e um atentado aos interesses de Estarreja.
O Governo tem feito saber que não pretende construir um edifício novo em Estarreja, porque a opção política é requalificar os hospitais idênticos ao nosso. Até posso, em tese, concordar, mas para mim Estarreja é um caso diferente. Se o Governo pretende investir, mesmo nesta época de crise internacional, aí está um investimento público que entendo que se justifica plenamente: a construção de um novo Hospital em Estarreja.
Se tivéssemos um edifício feito de raiz, totalmente adaptado às necessidades da saúde actuais, com o protocolo assinado entre a Câmara e o Ministério da Saúde (o qual se baseou numa proposta do PS Estarreja) a funcionar em pleno, ficaríamos dependentes dos serviços do próprio hospital para o desenvolver e fazer crescer. A esmagadora maioria dos seus profissionais sempre foram gente competente, pelo que, com uma Administração à altura, o futuro, nesta área, estaria assegurado.
Depois falta eleger o novo presidente da Câmara, que tenha capacidade para desenvolver Estarreja. Eu sei que o Fernando Mendonça vai tratar do assunto…
E se Estarreja se desenvolver, teremos mais gente por cá. Veriam depois se, mais ano, menos ano, o nosso novo hospital não teria um Serviço de Urgências Básicas. Disso, não tenho dúvida nenhuma!
É claro que posso perder esta minha luta – a luta do PS Estarreja e de mais 3 pessoas – pelo hospital novo, ainda para mais com o actual Presidente da Câmara a remar em sentido contrário.
Mas enquanto não perdermos, podemos ganhá-la. Por mim, garanto-vos, não desisto.

Marisa Macedo
Deputada à Assembleia da República pelo PS /

Presidente Concelhia PS Estarreja
15 de Fevereiro de 2009