sexta-feira, 10 de outubro de 2008

OPINIÃO
Mar de Ideias

O PS Estarreja propôs que os 2 milhões de euros que o Governo vai dar para investir numa unidade de cuidados continuados, fossem aproveitados para construir um hospital de raiz. O Dr. José Eduardo veio dizer que já tinha tido essa ideia há muito! O CDS – recentemente ressuscitado – afirmou que a ideia do PS é irrealista.
Não é a primeira vez que o Presidente da Câmara afirma, perante uma ideia do PS, que já a tinha tido há muito. Se isso fosse verdade – o que não é – José Eduardo Matos confessava, desde logo, a sua total incapacidade para defender as suas ideias, porque ninguém o ouve, nem vê, lutar por nenhuma delas. Quem, até o PS ter falado no hospital, o tinha ouvido explanar qualquer ideia publicamente sobre um novo?
Logo ele, que está à frente de uma câmara, onde a única coisa que parece funcionar é o gabinete de propaganda. Admiro o esforço daquele gabinete! Não há-de ser fácil noticiar tanta banalidade, já que parto do princípio que os vários elementos que fazem parte do mesmo, sabem o que pode ser considerado notícia…
Mas para vermos como o Dr. José Eduardo Matos é um político com ideias, basta olharmos para Estarreja. O concelho é um mar de ideias! Não é preciso irmos para Canelas, onde o presidente da assembleia eleito pelo PSD se demitiu, basicamente porque a Câmara não faz nada do que promete há anos. É interessante isto, porque nos centros urbanos de Estarreja e Avanca há a ideia que o Dr. José Eduardo Matos só investe nas freguesias pequenas, onde está o seu eleitorado mais fiel. Ficamos, então, a saber, que nem aí…
Por outro lado, a própria coligação também está em muito bom estado, pois se o Dr. José Eduardo já tinha tido a ideia do novo hospital, o CDS, que também não sabia de nada, e julgava que a proposta era do PS, apreçou-se a classificá-la de "irrealista".
Perante isto, pergunto-me: mas porque é que o PS local, não segue a doutrina da Drª Manuela Ferreira Leite para o PSD nacional? Diz a líder laranja que a oposição não é para apresentar propostas. É para fiscalizar a acção governativa. E ela é tida por pessoa credível.
Mas para quem anda na política por gosto e convicção e pretende continuar a viver em Estarreja, isto é aflitivo.
É difícil ficar calado a ver as oportunidades todas a serem perdidas. O IKEA, o TGV, a IC1, empresas de futuro para o Parque, as pessoas a irem viver para outros locais, o comércio a definhar, as colectividades a sobreviverem atoladas em dificuldades… Porque por mal que esteja a situação, basta olharmos para os vizinhos e percebermos que nenhum está tão mal como aqui, tendo em conta que não somos uma cidade do interior, temos óptimas acessibilidades e boas infra-estruturas.
Eu penso que o que nos falta é quem tenha ideias e as saiba por em prática. E quem saiba mandar.
O Dr. José Eduardo gosta de me lembrar que eu sou deputada à Assembleia da República. E sabem qual é o problema? É que um deputado é eleito para defender os interesses nacionais. Quem representa os interesses de cada terra é o Presidente da Câmara. E o nosso até foi eleito com maioria absoluta. Eu, a nível local, não passo de líder de um partido que perdeu por muito nas últimas eleições, como fazem questão de me lembrar muitas vezes, já que ninguém se incomoda com Estarreja, terra de que nem sabem quem é o presidente, muito menos o que defende. Os raros que o conhecem, lembram-se de um indivíduo que dispõe bem, por dizer umas piadas, mas totalmente inconsequente a nível de propostas. Aliás, quem assistiu ao “Gato Fedorento” no último domingo percebeu a imagem que o país tem de nós…
A minha tarefa de defender Estarreja nestas condições é quase tão difícil como a do Gabinete de Propaganda da Câmara! Mas acreditem que não desisto facilmente e, por isso, tenho-me esforçado em Lisboa para que Estarreja seja considerada. E temos conseguido algumas coisas. Mas bom seria se todos remássemos para o mesmo lado. Com o Dr. José Eduardo está visto que não é possível.
No PS, quando estávamos a discutir, com entusiasmo, esta ideia do novo hospital, achávamos que era óbvio que a solução só podia ser a que apresentávamos. Afinal, o Dr. José Eduardo já a tinha tido e já tinha desistido, mesmo antes de a contar a alguém… Estarreja está mesmo mal entregue!
Vou é convocar uma reunião do PS para escolhermos um candidato – com ideias, capacidade e que saiba mandar – e continuarmos a discussão sobre o projecto para Estarreja, a apresentar no próximo acto eleitoral. Deixemos o Dr. José Eduardo entregue às suas "obras magníficas", como a mudança das floreiras de local, ou a substituição de blocos de cimento em bom estado, por outro piso pior, como está a acontecer na Avenida 25 de Abril, pela módica quantia de cerca de 30 mil euros!
À mediocridade instalada, o rosto do PS terá de ser alguém capaz de nos fazer acreditar que é mesmo possível fazer coisas bem feitas em Estarreja e fazer de Estarreja uma grande terra, desenvolvida e feliz. Com os recursos que temos, com aqueles que havemos de conseguir, com as pessoas que temos, com vontade e com bom gosto.

Marisa Macedo
10 de Outubro de 2008