quinta-feira, 20 de março de 2008

OPINIÃO
A tragédia da Rua das Patas

Na sessão solene comemorativa da elevação de Avanca à categoria de vila, deixei de ter dúvidas: a Rua das Patas será a “obra de regime” do Dr. José Eduardo! Esse “inferno burocrático” é o calcanhar de Aquiles do nosso Presidente da Câmara, que dedicou uma boa parte do seu discurso a justificar-se perante os presentes de que não consegue desanexar 600 m2 de terreno da Reserva Agrícola Nacional!
Se fosse o Presidente de uma terra que não fosse a minha, teria rido à gargalhada, com o ar pungido com que se lamentava com os imbróglios da lei. Mas ele é presidente de Estarreja e, por isso, vê-lo exausto, confessando tanta dificuldade em fazer obras numa rua que tem 600 m2 dentro da reserva agrícola foi triste. Se um presidente não consegue resolver esse problema, resolve então qual e serve para quê?
Mas este mesmo presidente, no mesmo discurso, dizia que tinha impedido que o quartel da GNR de Avanca fechasse. Está-se mesmo a ver que é verdade: ele que não consegue resolver o simples problema da Rua das Patas é que consegue influenciar o Governo a não fechar um Posto da GNR!
O que valeu ao povo de Avanca nessa questão do posto, foi o quartel nunca ter estado para fechar e até estarem previstas obras para o mesmo. É que o Dr. José Eduardo só resolve o que está resolvido.
A não ser que seja para organizar umas excursões de séniores à Quinta da Malafaia e similares, o que é que tem resolvido em Estarreja?
A IC1 lá vai sendo construída a nascente, sem que o Dr. José Eduardo fosse sequer capaz de defender um traçado mais conveniente, mesmo que não fosse a poente. Os comboios principais nem sequer param em Estarreja, sendo que o Dr. José Eduardo se basta com inaugurar apeadeiros. Albergaria-a-Velha vai ficar com a estação do TGV e Estarreja com todos os inconvenientes da sua passagem. Anuncia empresas para o Parque Industrial, mas nós só vimos o IKEA ir para Paços de Ferreira. Assina um protocolo com o Governo para o encerramento das urgências entre a meia-noite e as oito da manhã, depois de todos o terem convencido que não era com velas na mão que se resolvia o problema, mas vai à manifestação convocada pela Comissão de Utentes, porque nem esta questão consegue liderar. Deixa furtar toneladas de areia do Parque Industrial, que dava para pagar parte dessa empreitada, sem mexer um dedo e diz que é preciso encontrar os responsáveis, quando o inquérito no tribunal é reaberto.
Fez um concurso público para admissão de pessoal, que acaba de ser anulado pelo Tribunal Administrativo, pelo facto da decisão não estar minimamente fundamentada, o que só vem adensar o que todos suspeitam com a admissão de pessoal. Não paga às colectividades a tempo e horas, porque afirma que não tem dinheiro, mas paga 7 mil contos à SEMA para comprar uma árvore de Natal, que se resume a uns ferros ferrugentos ao alto cobertos por luzes tipo loja de chinês.
Há mupis que nos dão ar de cidade, mas que assinalam que a nossa temperatura é 21 graus desde há uns bons treze meses!
Está a fazer uma rotunda, a puxar para o pequenino, depois da Câmara ter demolido uma casa e tê-la construído de novo, para arranjar espaço para uma rotunda em condições.
A par disto, Estarreja vai ter video-vigilância, por ser uma cidade considerada perigosa, por ter muitos ladrões, ao contrário de clientes, já que os comerciantes queixam-se que não há ninguém a comprar, nem mesmo com a árvore de Natal que custou 7 mil contos.
Está prevista uma piscina que vai custar perto de um milhão de contos, dinheiro que a Câmara não tem, sendo que é igual à que temos, com duas pistas mais e campos de squach, apesar de não se conhecer qualquer praticante desta modalidade no concelho. Mas deve haver...! Também vai ter um restaurante, sendo certo que a Câmara nem sequer consegue concessionar os espaços que se localizam atrás da câmara.
Parte do centro da cidade, por trás da câmara, é um baldio, frequentado por burros (no sentido literal do termo), o que, sem desprimor para os quadrúpedes, não será o tipo de utente mais desejado para um qualquer centro urbano.
O dilema é este: quem não consegue resolver o problema da Rua das Patas, como consegue resolver o Parque Industrial ou os mais elementares problemas dos estarrejenses?
Ou pior do que isso: se não consegue resolver o problema da Rua das Patas, como consegue ter uma ideia ou estratégia de desenvolvimento para o município? E mesmo que tivesse qualquer ideia, estratégia ou projecto – e já se viu que não tem nestes 6 anos! – como é que os consegue pôr em prática, quando não consegue em tempo útil resolver o “bicudo” caso do arranjo da Rua das Patas?
E no resto do país? Sendo a lei igual em todo o lado, como é que noutros municípios os mesmos problemas, ou problemas muito maiores, se vão resolvendo à vista de todos?
Um Presidente de Câmara que usa a lamúria e o “fado do desgraçado” para justificar a sua incapacidade e a sua ineficácia demonstra estar esgotado.
O Dr. José Eduardo Matos assinou, em Avanca, a sua declaração de rendição. Sem honra, nem glória, sem obra, nem história.
O futuro far-lhe-á a justiça de o considerar o pior Presidente de Câmara de Estarreja do-pós 25 de Abril.

Marisa Macedo
Presidente da Comissão Política do Partido Socialista de Estarreja